A HISTÓRIA É CRUEL COM O PRESENTE
Você já reparou o quanto a história sobrecarrega o presente? O quanto as coisas de antes são grandiosas, para o bem ou para o mau?
Se você ficou com uma interrogação na mente agora, ou se já se pegou pensando nisso, lê até o final e vamos debater essa ideia juntos!
Provavelmente você tem um amigo ou colega de trabalho que estufa o peito e enche a boca para dizer: NO MEU TEMPO… (ou até você mesmo já falou isso)
Você já parou para pensar no quanto essa frase é hipócrita?
A história, ou o passado, gosta de grandes feitos, de grandes nomes, ela vive e se alimenta de monumentos, do sucesso, de lendas… e o presente, inocente, insiste no erro de se espelhar nela (na história). O próximo Pelé, o próximo Einstein, o próximo “monumento” a ser adorado!
Nietzsche escreveu: “É bem da vulgaridade humana querer divinizar o sucesso...”
Quando seu colega de trabalho usa a famigerada frase: No meu tempo…, provavelmente atacando as novas gerações, ele involuntariamente está agindo como a história e esquecendo, propositalmente, que no seu tempo também haviam queixas, dificuldades, “mimimis” que possivelmente foram superados pela geração que ele duramente critica.
“… aquele que… tenha estudado de perto um caso de sucesso, sabe que tipos de fatores… aí se encontra misturado...” (ainda citando Nietzsche)
Temos o costume de colocar o passado em um pedestal tão elevado e inalcançável, endeusando-o com saudosismo insano, como se ele tivesse sido perfeito e belo e com certeza, impossível de voltar.
Poetizar o passado com tanta força é terrivelmente cruel com o presente. É injusto, e limita o crescimento da humanidade. Tudo que é diferente do que “sempre foi” assusta, fazendo com que novas ideias sejam duramente cerceadas.
“É absurdo que o sucesso deva ter mais valor do que a bela possibilidade que existia...” (Nietzsche pela última vez)
Imagine falar diante de uma multidão de seus liderados, vestido em trajes sujos e velhos, cansado, descabelado e suado, montado em uma mula, um animal certamente abaixo de sua posição. Horrível não, você provavelmente não daria crédito para alguém assim, estou errado? Bem, mas foi nessas condições que Dom Pedro I deu o famoso grito “independência ou morte”… se é que o grito existiu de fato.
Lideres ou heróis são retratados como pessoas pomposas, imponentes e bonitas. (ao menos em sua maioria) Talvez por isso eu já tenho ouvido alguém dizer que não votaria na Marina Silva porque ela era feia….
Mas saibam senhores, a vida real não é como a história demonstra.
Albert Einstein foi possivelmente um mulherengo devasso com sérios problemas no casamento, mantendo contato com uma paixão do passado durante o mesmo. Sem contar que foi ele o diabo no ouvido dos Estados Unidos sobre a Bomba Atômica... Aquiles, o MAIS belo, o MELHOR guerreiro da Ilíada, engrandecido de tal maneira que em muitas versões é colocado como imortal, invulnerável… O mesmo Aquiles que foi vestido de mulher por sua mãe para que escapasse da guerra, o mesmo que engravidou sua “meia-irmã”...
Paremos de cultuar o passado, ele foi tão feio quanto este nosso presente, e mesmo com todos os nossos defeitos, medos e dificuldades, podemos fazer a diferença, mesmo que a história não se lembre de nós.
Pense nisso…
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